Filmes & Séries

Série SEX/LIFE: Crítica de uma mãe

13/10/2021

Olá! Se você gosta pelo menos um pouco de séries, já ouviu falar em SEX / Life. Essa série ficou pelo menos duas semanas em primeiro lugar entre os mais assistidos da Netflix, o que significa que a galera fica no mínimo curiosa quando tem uma safadeza na trama. Isso já faz uns dois meses, e essa semana a polêmica voltou com a notícia de que a série foi renavoda pra uma segunda temporada.


OBS: Todas as reviews de filmes, livros e séries que faço são de obras que podem inspirar e empoderar mulheres, principalmente mães, de alguma forma ou que envolvem maternidade e mulheres mas não necessariamente empoderam.

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Sim, a série tem cenas bem eróticas e quentes, e foi, inclusive, inspirada em uma história real, relatada no livro 4 Homens em 44 Capítulos da BB Easton , sobre a história real dela mesma em relação às tentativas de apimentar o casamento fazendo o marido ler seu diário com suas aventuras sexuais do passado.

Bom, eu coloquei no título que faria uma crítica à série aqui, mas na verdade vou dar a minha opinião, como mãe de uma menina de 2 anos, sobre o que achei da série, do comportamento dos personagens e do final super polêmico. Esse é um blog pessoal, misturado com revista, então minha linguagem aqui vai ser sempre bem informal, como uma conversa de bar, e não como alguém superior que manja de cinema. Pra isso tem as críticas chatas do Omelete hehehe.

CONTÉM SPOILERS, se ainda não assitiu, pode parar por aqui.

Eu entendo a Billie

Eu entendo a Billie porque antes de ser mãe eu tinha aquela mesma sede de vida e experiências que ela. E ainda tenho. Mas a maternidade chega preenchendo tudo por um longo tempo, e você se vê, naturalmente, deixando o antigo EU pra trás. Mas a gente sente falta, muita falta, da antiga mulher. E junto com a falta vem a culpa. E eu sentia muita culpa em amar tanto minha filha e sentir tanto essa falta da minha essência livre, independente e exploradora que de uma dia pro outro eu tive que substituir. Minha Artemis (Deusa grega da caça) virou Deméter (Deusa grega da maternidade) de repente, e conhecer a Billie me fez sentir um grande alívio. Uma mulher/mãe fora do manto de santa imaculada. Uma mulher que tem tudo, gosta, se sente grata, mas não se enquadra naquele padrão perfeitinho da classe média da família tradicional que vive mais focada na imagem da família perfeita do que no seu crescimento pessoal.

Senti um alívio em ver que eu não sou a única que se sente um alien entre as mães de classe média do meu bairro que vivem pra competir qual filho tirou a fralda primeiro. Billie ama sua família, mas também se ama como mulher livre e selvagem. Billie é uma Uma mulher que gosta sim de sexo, e não, não é ninfomaníaca, apenas gosta da sensação de poder ser ela mesma, se sentir desejada e da liberdade que ela tinha ao ser bem muito bem resolvida sexualmente. Do Êxtase, da magia, da adrenalina. Vi tantos falando que Billie é ninfomaníaca, mas se fosse um homem na mesma situação ninguém ia falar que ele é viciado em sexo, apenas que ¨homem é assim mesmo, se não tem sexo em casa busca fora¨. Bom, acontece que mulher ¨é assim mesmo ¨também. E Billie incomoda muito ao mostrar isso, principalmente por ser mãe.

frase billie sex life

Billie é uma personagem importante pq ela mostra que mulher é assim mesmo TAMBÉM. Que mulher também gosta de liberdade, de explorar, de sexo. Billie ama os filhos mais que tudo, mas isso não a impede de sentir falta da vida cheia de emoções e do espírito livre. A série mostra muito bem que uma coisa não elimina a outra na cena que ela fica em pânico quando acha que o Cooper levou as crianças embora. Eu sinto saudades do meu espírito jovem estilo Billie pré casamento, mas se fico mais de 5 horas longe da minha filha perco até o foco de tantas saudades. Então eu entendo muito a Billie mesmo. Não, não concordo com a traição mas disso vou falar lá no final.

O Cooper Não é Santo

Olha, eu vi tanta mulher idolatrando o Cooper e o que eu posso dizer é, gente, NÃO! O Cooper mostra que não é nenhum príncipe encantado assim que começa a vasculhar escondido o computador da esposa. Como vocês conseguem achar o marido perfeito alguém que invade sua privacidade? Pra mim o pior é que todas as tentativas de mudança que ele faz NÃO É pela Billie, e sim pelo ego masculino. Cooper ama ser o cara perfeito, o Ken da Barbie, o pai ideal, o funcionário do ano. Isso forma a identidade dele, e quando ele vê que não é mais tão perfeito assim e que a esposa dele não é a esposa perfeita que ele imaginava ele fica obcecado em tentar recuperar isso. E todo o esforço dele passa a ser mais uma competição com o Brad do que uma luta pela Billie. No episódio em que ele goza e ela não, no carro, ele se dá por satisfeito, não fica frustrado por não ter satisfeito ela, e ali fica mais do que claro que ele está realmente mais preocupado com atingir performances do que com agradar ela.

Percebam a obsessão dele pelo Brad. Era assustador, bem stalker mesmo. Na cabeça dele ele pensava ¨o que esse cara tem que eu não tenho¨ E ao invés de tentar entender a esposa, criar algo que fosse dos dois, ele ficava reproduzindo tudo o que o Brad fazia, mesmo que claramente não funcionasse. Ele queria conseguir ser o Brad, tomar esse lugar, e voltar a ser perfeito. Eu fiquei muito incomodada em todas as cenas dele tentando ser o outro cara. Vergonha alheia cringe total.

O Brad é Tóxico sim

Gente que cara mala, bipolar, imaturo, egoísta, prepotente e sem noção. Ele me irrita tanto em tantas cenas que daria pra fazer um post inteiro só das atitudes tóxicas dele. Nem o salsichão do ep 3 minuto 19 compensa kkkk.

sex life brad cooper gif chuveiro

Ainda assim entendo a Billie naquele final. Não faria, não justifico, mas compreendo.

Vocês sabiam que a espécie humana é a única que olha nos olhos e pode sentir o coração um do outro ao se abraçar e encostar durante o ato sexual? Nós, mulheres humanas, não fomos feitas apenas pra usar o sexo com fins de reprodução, e sim igual os homens, podemos – e deveríamos – desfrutar apenas pelo prazer. Acontece que vivemos a muitos mil anos sob a misturinha punk de culpa cristã com patriarcado, e temos na cabeça, mesmo que de forma incosciente, a ideia de que valorizar tanto o sexo só pelo prazer próprio como a Billie faz é errado. Mas a Billie sabe que não é errado, ela se conhece, é psicóloga, e ela, nesse final, depois de muito lutar contra, segue seus instintos e resiste ao padrão que é imposto pra ela de aceitar o modelo familiar que, por mais que ela gosta, demanda que ele abandone uma parte essencial si mesma.

Vejo tantas mães falarem ¨com a maternidade é assim mesmo, você renasce e deixa a outra mulher ora trás. Mas Billie bate no peito e diz NÃO, não vou deixar esse meu lado pra trás. E eu penso igual. Maternidade é pra vir somar, não pra se abandonar. Acho que Billie foi muito corajosa, e acho que, se na segunda temporada ela chegar em casa e meter a real pro Cooper é menos mal.

Francesca é mais problematizável que a Billie

Uma mulher bem sucedida, rica, bonita, se colocando como segunda opção de um homem casado. Sem comentários.

Não, Sex/Life não romantiza a traição.

Não achei errado ela continuar insatisfeita e seguir os instintos dela, isso eu sinceramente aplaudi de pé. Mas achei errado ela trair sim, ainda mais com o pentelho do Brad. Cooper também estava errada em stalkear pelo telefone, e Brad errado em pedir uma mulher casada em casamento (e em todas as outras merdas que ele fez). E no fim gosto dessa série por isso. Cinema, série arte, não são feitos pra ensinar sempre a lição de moral certa, e sim pra trazer um pouco das cagadas que muito de nós fazemos ou já fizemos na nossa vida, ou que sabemos que os outros fazem.

Acho que isso faz com que a gente expanda a percepção do que realmente acontece na vida real. Afinal, sim, muitas pessoas traem, e a série mostra isso, sem romantizar, deixando bem claro o quão errado e tóxico todo mundo é em algum momento ali, e trazendo reflexões. Então, Se você adulto, informado, com noção do certo e errado, assistiu a passou a achar certa a traição, o problema não está bem na série né? Você mesmo já estava inclinado a querer justificar traição. Mas se você tem a cabeça feita e sabe o sobre responsabilidade afetiva, não vai romantizar a traição nessa série assim como não romantiza um assassinato se assiste James Bond matando vilões. A fala da Sasha no final faz a Billie ver que enquanto ela continuasse vivendo com aquele desejo não só de sexo, mas de liberdade, reprimido pra se enquadrar, ela nunca ia conseguir se permitir ser feliz.

Que venha a segunda temporada!Torcendo pra que a Billie fique um tempo sozinha e saia desse ciclo de boy tóxico

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